Sou o verme
vil
baixo
masturbador
egoísta
o monstro abominável
que a todos afasta
repelente
nojento
escamoso
vivo escondido
recluso
sozinho
rastejando
espreitando nas sombras
evitando o público
buscando o contato particular
sou um rato (como meu pai)
ninguém me procura
desperdiço minha vida
sou orgulhoso e medonho
feio como um demônio
me consumo no vício
minha fome é infinita
e arde
Friday, 9 December 2011
lamber o cimento até limpar todos os cantos do centro da cidade até a língua esfolar e sangrar e o sangue descer pelas bocas dos esgotos junto com toda a corrupção da podridão humana que perambula em farrapos sujos na aurora desconcertada